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Publicada em 22/10/2019 às 16:46
Condomínio Riviera comemora 40 anos com festa
Condomínio Riviera comemora 40 anos com festa
foto: DivulgaçãoOs moradores do Riviera contam um pouco da história da Barra Foto: Marcos Ramos / Agência O Globo
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Há 42 anos, depois de ver na TV o anúncio de um empreendimento imobiliário no novíssimo e distante bairro da Barra da Tijuca , o casal Carlos José e Ana Rangel resolveu visitar o local. Fechou negócio e se mudou no fim de 1979, quando o residencial Riviera dei Fiori , na Avenida Prefeito Dulcídio Cardoso, foi entregue. A atitude parecia uma aventura, já que na época a Barra vivia um lento processo de urbanização e contava com apenas um acesso, mas arriscar valeu a pena. Tanto que o casal continua lá e, este mês, estará comemorando o acerto de sua decisão na festa, aberta ao público, que o condomínio realizará sábado para comemorar seu 40º aniversário.

— Quando chegamos, não havia nada em volta. A Barra era um grande areal. Mesmo o condomínio não estava totalmente pronto, e as primeiras reuniões eram ao ar livre — conta Ana, que chegou a ser diretora social do Riviera.

O condomínio tem 1.192 apartamentos distribuídos em sete torres. Seus 100 mil m² são ocupados por três quadras de tênis e quatro poliesportivas, quatro piscinas, um clube e um jardim projetado por Burle Marx e tombado em 2009 pela prefeitura como Patrimônio Cultural do Rio de Janeiro.

Em uma comunidade com quase cinco mil moradores, as áreas de lazer acabam sendo parte importante da rotina. Antonio Carlos Guimarães e Maria Auxiliadora Lesqueves se conheceram frequentando uma das piscinas do Riviera. Na época, ambos eram divorciados. Ele se mudou de São Conrado para o condomínio por sugestão da ex-mulher, e ela, moradora de primeira hora, apenas trocou de apartamento quando se separou. Começava ali uma nova história de amor, que já dura 35 anos.

Maria Auxiliadora e Antonio Carlos se conheceram no Riviera Foto: Marcos Ramos / Agência O Globo

— Eu trabalhava muito, tinha só um domingo de folga por mês, então aproveitava para frequentar a piscina. Nós nos conhecemos lá, mas eu joguei duro com ele no começo — brinca Auxiliadora.

Para Guimarães, o Riviera representou mesmo o começo de uma nova vida. Ele foi síndico do residencial por 14 anos e hoje é diretor na Câmara Comercial da Barra:

— Sou muito feliz no Riviera. Sempre fui participativo. Gostava de me integrar, fazer amizades, e aqui, seja jogando futebol ou nas atividades do clube, encontrei uma comunidade muito receptiva.

Além das atividades que o condomínio oferece, o casal celebra a alegria de poder dividir com os netos o espaço que os filhos aproveitaram. História parecida com a da família Saboya de Araujo Jorge. O casal Clivia e Julio chegou ao Riviera em 1985, quando a filha Andrea tinha 3 anos. Mãe de Dylan, de 4 meses, Andrea continua lá.

— Foi maravilhoso crescer aqui, tive a infância e a adolescência mais divertidas do mundo. Fiz amigos para a vida toda. Eu estou muito feliz por meu filho poder ter acesso a isso tudo — diz Andrea.

As três gerações da família Saboya que vivem no condomínio Foto: Marcos Ramos / Agência O Globo
 
Maria Luísa Vianna de Araujo sabe bem como é isso. Seu neto mais velho, Ricardo, hoje com 19 anos, cresceu no Riviera. Agora é a vez da mais nova, Lorena, de 7. Uma vitória para quem se mudou para a Barra para ter netos.

— Eu morava em Laranjeiras e não queria sair, porque frequentava o Fluminense. Minha filha, que morava na Barra, disse que só teria filhos se eu viesse para cá, e eu dizia que não viria nunca. Até conhecer o Riviera — conta.

Moradora do condomínio há 20 anos, Maria Luísa é criadora do Cantinho de Maria, que se reúne para ajudar crianças carentes. A iniciativa surgiu no grupo de oração que ela frequentava no clube:

— Um dia eu questionei o grupo. Disse que não bastava rezar e voltar para as nossas casas confortáveis.

Em 18 anos, a ação social já ajudou centenas de crianças de comunidades de Jacarepaguá, da Zona Sul e da Tijuca com roupas, brinquedos e alimentos.

O clube é onde acontecem as festas do condomínio. Diretora social do Riviera há dez anos, Gleice Ventin se orgulha da cena cultural local.

Pinheiro e sua pasta com arquivos que contam a história do Riviera Foto: Marcos Ramos / Agência O Globo

— Temos um coral que se apresenta em eventos e concursos fora daqui. Nossa banda de carnaval desfila há 12 anos. Isso sem falar nas festas e nos shows — conta Gleice, produtora da festa pelos 40 anos do residencial, que terá shows da orquestra Cuba Libre e do saxofonista Guilherme Brito.

Na grandiosidade do condomínio também moram pequenas histórias de grandes gestos. Jofram da Silva Rosa instalou-se no Riviera em 1997 e e se comoveu com a quantidade de gatos que perambulavam pelas ruas internas. Passou a alimentá-los, o que faz há 20 anos.

— Dou comida duas vezes por dia, levo para o veterinário e para castrar — conta Jofram, que estima gastar R$ 3 mil por mês com os animais.

Atento a todo esse movimento está o porteiro Carlos Pinheiro, o mais antigo do local, há 39 anos no posto. Em uma pasta, ele reúne notícias sobre o Riviera, obituários de moradores, edições antigas de um extinto informativo interno e histórias curiosas, como a do namorado abandonado que espalhou panfletos difamando a ex.

— Faz mais de 30 anos que guardo essas coisas. Acho que quero tentar contar a história do Riviera — diz.

Primeiro grande condomínio da orla, o Barramares também completa 40 anos em 2019. Sua inauguração foi um marco na ocupação da então Avenida Sernambetiba , atual Avenida Lucio Costa .

Inspirado no projeto original do arquiteto Lucio Costa para a Barra, o Barramares foi concebido para ser um condomínio-bairro e ter em suas dependências os serviços mais necessários aos moradores. Hoje, conta com supermercado, salão de beleza, farmácia, padaria, chaveiro e estúdio de pilates, além de um colégio, a escola Municipal Golda Meir. Para o lazer há duas quadras poliesportivas e uma de tênis, duas piscinas aquecidas, sauna e salão de jogos.

Jaime Perdigão comprou seu apartamento no dia do lançamento do empreendimento Foto: Marcos Ramos / Agência O Globo
 
Como no caso de Maria Auxiliadora e Guimarães, do Riviera, foi em um anúncio, mas de jornal, que em 1976 Jaime Perdigão soube do empreendimento na beira da praia. Dono de um apartamento de dois quartos no Grajaú, ele viu no negócio uma oportunidade de viver num imóvel maior.

— Vim no primeiro dia de venda e fechei negócio. Não tinha nada aqui em frente, só uma estrada de terra como acesso e o mar — conta Perdigão.

A família se mudou em 1979, mas o nascimento de um filho que precisava de cuidados especiais os levou de volta ao Grajaú. O coração, porém, ficou no Barramares:

— Foram 18 anos mantendo o apartamento no Grajaú. Eu dizia que vivia na Barra, mas passava as semanas no Grajaú, porque nós vínhamos todo fim de semana para cá. Em 2000, viemos de vez.

Entre os principais problemas enfrentados pelos residentes do Barramares estiveram, durante muito tempo, o transporte para a Barra e o trânsito. Por isso, nos anos 1980 o condomínio criou seu sistema de locomoção, com ônibus executivos saindo de lá direto para o Centro (passando pela Zona Sul) e para a Tijuca. Muitos outros condomínios adotaram o transporte próprio, à medida em que a Barra foi se adensando; e os congestionamentos, piorando.

Antônio Borges é gerente de atendimento da Bap, empresa responsável pela administração do Barramares. Há 39 anos na função, Borges conhece como poucos as demandas do condomínio. Para ele, a implantação do transporte foi um marco.

— Foi um enorme desafio criar o sistema de transporte e fazê-lo funcionar, mas  hoje ele opera como um relógio — orgulha-se Borges.

O trânsito, porém, continuou sendo um problema. Quando chegou ao Barramares, em 1992, Jose Antonio Canellas trabalhava para uma companhia aérea e diariamente ia para São Paulo e voltava para casa.

— Eu costumava levar mais tempo entre minha casa e o aeroporto Santos Dumont do que voando para São Paulo — conta.

Ainda assim, a vida perto da praia tinha vantagens:

— Eu e minha família sempre frequentamos o Posto 4. Não existia a ciclovia, e nós parávamos o carro quase na areia. A praia era muito mais tranquila. Viemos para cá para ficar perto do mar.

Com o título informal de primeiro bebê do Barramares, Sylvia Mena Barreto chegou ao condomínio com os pais aos 2 meses, em 1979, e também tem lembranças deliciosas da infância e da adolescência à beira-mar:

— Eu me lembro de passar o dia na praia e na volta tirar o sal do corpo com um banho no Canal do Marapendi, que era limpo.

Ela não mora mais no Barramares, mas continua assídua do condomínio, onde ainda vivem seus pais e um de seus irmãos, hoje casado. Arquiteta, Sylvia tem inclusive prestado serviços para o residencial.

— É gratificante fazer esse trabalho no lugar onde cresci. O projeto do condomínio é muito bom, mas há conceitos hoje que não existiam na época, como o das brinquedotecas. Essa é uma das atualizações que estou fazendo — conta ela, emendando numa brincadeira. — Conheço tão bem algumas áreas do Barramares que nem preciso fazer visita técnica.

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fonte: https://oglobo.globo.com/rio/bairros/condominio-riviera-comemora-40-anos-com-festa-24027226?utm_source=&utm_medium=&utm_campaign=

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